domingo, 15 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Cabine de Projeção (4)

A chegada de filmes para estréia nos cinemas de rua nas pequenas cidades, na década de 60, era precedida de grande expectativa, pois os filmes demoravam a chegar, vindos de outras praças (cidades) onde foram exibidos, geralmente grandes centros. Nessa época, não se fazia muitas cópias como hoje, onde filmes de grande sucesso são exibidos, simultaneamente, em várias capitais, com lançamentos nacionais ou até mundiais, chegando a ter até mais de trezentas cópias, vindas direto das distribuidoras para os cinemas, novinhas, sem arranhão algum, sendo comum os multiplexs exibirem mais de uma cópia - uma legendada e outra dublada. Os cinemas das pequenas cidades, tinham que aguardar que o filmes esgotasse o interesse dos espectadores dos grandes centros, e, enquanto isso não acontecia, o cartaz com a papeleta de “BREVE” se eternizava. Pessoas conhecidas, às vezes, falavam que já tinham assistido a esses filmes, há muito tempo, no Rio de Janeiro ou em S.Paulo. Os filmes vinham, de ônibus, em sacos cujo conteúdo era de seis a oito latas de filmes, cartazes, fotos muito comuns na época, em cores e preto e branco, traillers, uma cópia do Certificado de Censura, que constava do inicio de todo filme, inclusive dos Cines Jornais que traziam imagens de fatos ocorridos em todo o país e, no final, um jogo de futebol de destaque. Apesar do noticiário ser desatualizado, era importante por causa das imagens inéditas, pois muitas cidades ainda não possuíam televisão. Chegando as latas de filmes, o projecionista (operador), na cabine, REVISAVA o filme na enroladeira, para evitar surpresas desagradáveis quando da sua primeira exibição, pois além das cópias virem arranhadas - já tinham sido rodadas por várias vezes em projetores sem a devida manutenção - podiam vir com emendas fracas, perfurações estragadas, ou faltando o “RABICHO”, que é um pedaço de filme padrão, colocado em laboratório, quando da confecção das cópias, no início e no fim de cada rolo (parte) do filme, sendo que o do início serve de guia ao projecionista, quando for fazer a colocação da fita na engrenagem do projetor, passando pelos roletes dentados, janela, fotocélula (som), evitando que avance nas imagens (fotogramas) do inicio do filme. Estes pedaços de filme são pretos ou transparentes, com ilustrações semelhantes a um relógio, que, a medida que gira uma ilustração, aparece o NUMERADOR de 1 a 8 com avisos também do início do som em tom de “BIP”, terminando com a palavra START (começo), indicando que oito segundos após, aparece o primeiro FOTOGRAMA. Nos cinemas que ainda mantém a exibição com dois projetores, como nas cinematecas, alguns itens merecem a atenção dos operadores, como a correção de foco das lentes planas para cinemascope (hoje tudo isso é automático), nas mudanças de partes, quando da troca de projetor.
Armando Maynard
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