segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Memória Espaço Físico do Saudoso Cine Palace


O Cine Palace ficava na Rua João Pessoa esquina com a Travessa Benjamin Constant e Praça Fausto Cardoso, no centro da cidade de Aracaju-Sergipe. O ano era 1955, Paulo Dantas constrói o mais moderno e bonito cinema do estado, sendo o único na época a possuir ar condicionado e cortina motorizada. Para a festa de inauguração foi escolhido o filme musical, colorido e em cinemascope, “Sete Noivas Para Sete Irmãos”, uma produção de 1954. Na frente do prédio, que até hoje ainda existe, diversas fileiras de néon azuis cobriam a parte inferior da arrebitada marquise. Logo abaixo da mesma e acima da grande porta de ferro de cor cinza, com algumas aberturas com vidro - onde os cinéfilos ao passar, paravam para dar uma olhadinha e ver os cartazes que ficavam lá dentro – havia um suporte luminoso, onde era colocado em letras de plástico vermelhas e removíveis, o nome do filme em exibição. Em ambos os lados da porta de entrada, embutidos na parede, tinham dois suportes de alumínio com portinhas de vidros e fechaduras, com lâmpadas fosforescentes nas bases, cobertas por um vidro e ao fundo do suporte,  um pano verde aveludado cobria a madeira, onde eram pregadas com percevejos ou grampeador, as fotos dos filmes. Entre as fotos, tinham papeletas coloridas com os dizeres “HOJE” e outra abaixo, com escritos, “Sessões contínuas a partir da 15hs.” Mais ao lado pendurado nos dois lados da porta, existiam dois porta cartazes grandes de madeira, com portas de vidro e fechadura, com uma lâmpada fosforescente em cada, onde eram colocados os grandes pôsteres do filme. Do lado direito e acima de um destes cartazes, havia escrito em neon azul, pregado na parede, os dizeres: “Ambiente Com Ar. Condicionado”. Indo para o lado esquerdo, na esquina e no alto da parede, podia se ver o nome PALACE, que a noite acendia com luzes azuis instaladas atrás das grandes letras. Abaixo desse nome, para facilitar a venda de ingressos, quando de lançamentos de filmes de grande sucesso, foi feita uma abertura na parede com uma portinhola, para que servisse de bilheteria. Ao lado, pela Trav. Benjamin Constant, havia no alto da parede um portal para colocação do nome do filme, que tempos depois foi desativado. Abaixo dele e de uma marquise com curvas, uma porta servia para saída das pessoas que assistiam ao filme no balcão, porta esta ladeada por dois portas cartazes pequenos e mais adiante, mais três portas cartazes, sendo estes grandes, usados para colocação de pôsteres. Seguindo pelo lado, haviam duas portas de saída da sala de exibição, tempos depois foi aberta mais uma, ficando três portas. Mais adiante, mais duas portas, uma dava acesso ao fundo da tela/palco e outra para a central de ar condicionado. Voltando para a porta de entrada, na Rua João Pessoa, do lado direito, havia a bilheteria de madeira que ficava acima do piso, com uns pesinhos em forma de cone, revestida de fórmica verde, que tinha a sua frente um arco de metal inoxidável, que era pregado no piso e servia para direcionar a fila de compra de ingressos e encaminhar o espectador a sala de espera, passando pelo porteiro, que recebia os ingressos, rasgando os mesmos em pedacinhos e depositando os pedaços em uma urna de vidro. Alguns cinéfilos usavam o visor da urna para avaliar a lotação da sala e a aceitação do filme. Do lado esquerdo tinha um painel de madeira grande, com pés, onde eram afixados fotos e cartazes do filme que seria exibido “A seguir” ou “Em breve”. Atrás desse painel estava a bombonière, que em dias de grande movimento servia também de bilheteria auxiliar. Em frente à escada que levava a uma varandinha, com proteção de ferro, continuação do corrimão da escada, na parede um pequeno espaço para colocar fotos de filmes a serem exibidos e logo adiante a porta do escritório da gerência. Voltando a varandinha, mais um lance de escada para se chegar à cabine de projeção, que ficava do lado direito e no mesmo piso, do lado esquerdo um sanitário. Finalmente a porta vai e vem que dava acesso ao balcão, onde havia uma boa quantidade de cadeiras, com um corredor no meio,  com um piso em forma de grandes degraus, prenúncio do piso das  salas stadium, terminando numa balaustrada larga de alvenaria e coberta de madeira. No lugar mais alto desse espaço, existiam somente duas cadeiras, que eram as preferidas dos casais de namorados. Voltando ao térreo, encontramos a sala de espera, rodeada de porta cartazes de filmes que iam ser exibidos brevemente, iluminados ao redor com filetes de luz néon coloridas. Na parede, que era toda revestida de madeira, um relógio sem números, abaixo dois sofás e quatro poltronas. No teto da sala havia um alto-falante, que trazia o som da tela, com músicas orquestradas, que tocavam antes de iniciar-se a sessão. O mesmo era desligado, quando do início do filme, só voltando a funcionar, quando o mesmo já ia terminar, se ouvindo da sala de espera a trilha sonora da apresentação dos créditos finais, fazendo com que o espectador que estava na espera da próxima sessão, ficasse sabendo do término do filme, pois a sala era esvaziada pelas portas laterais. Embaixo da escada ficava o bebedouro, daí vinha próximo alguns lances de escada, para se chegar a uma grande porta verde de napa acolchoada, dividida em duas bandas e separada por quatro canos pretos, ficando uma banda sempre entreaberta para dar acesso aos espectadores. Daí saia um forte vento frio do ar condicionado e um cheirinho característico que alcançava a calçada da Rua João Pessoa. De volta à porta de entrada da sala de exibição, logo se via uma cortina de pano verde sempre esvoaçante, onde ao se entrar, ficava-se com as mãos a procurar a abertura da junção das duas bandas, para poder ter acesso a sala de exibição, o templo dos cinéfilos. Ao entrar, deparava-se com uma balaustre tipo balcão, feita de blocos de vidros, com luzes vermelhas dentro e para-peito acolchoado de napa verde, onde várias pessoas ficavam encostadas em pé e dalí mesmo assistiam ao filme. Do lado direito o sanitário masculino e do lado esquerdo o feminino. À frente centenas de cadeiras de madeiras com acolchoados em napa de cor azul, somente no assento, ladeado por dois corredores encostados nas parede laterais, até chegar ao pequeno palco/tela. Antes, do lado direito, o corredor era afastado da parede por uma fileira de quatro cadeiras, que depois foi desfeita. As parede até certa altura eram forradas de madeiras, encimadas com abatjus em seqüência e mais acima dos dois lados, adornadas com pinturas de galinhas, jarros, burrinhos e carrancas iguais e enfileiradas e em sequencias, ilustrações até hoje preservadas, feitas pelo artista plástico sergipano Jenner Augusto ( 1924 – 2003). No teto ondulações em forma de escadas, com lâmpadas embutidas e nas bordas uma sequência de grades redondas, de onde saia o ar condicionado. Ao pé da parede luzinhas vermelhas que serviam de guias iluminando o piso do corredor. No fim da sala um pequeno palco curvo com iluminação na frente, composta de uma fileira de lâmpadas brancas intercaladas por vermelhas e em  cada lado do palco três fachos de lâmpadas nas cores verde, azul e vermelha, que serviam para acompanhar o gongo, fazendo o jogo de luz, no ritual do início das sessões, acompanhado do prefixo musical “Maré Baixa”. Em cima do pequeno palco a grande tela cinemascope, que ia de um lado a outro da parede, coberta pela cortina motorizada de cor alaranjada e estampada. Logo atrás os grandes alto falantes e o motor da cortina e separado por uma parede, em outro compartimento, toda a aparelhagem do ar condicionado, que por jogar água na casa que ficava vizinha, aos fundos, teve que ser providenciado uma proteção de madeira, que foi colocada no telhado do prédio. Esta é a memória do espaço físico do CINEMA PALACE, onde na década de 60, os jovens não tinham dúvidas do que iam fazer aos domingos à tarde, pois a primeira sessão do Cine Palace era coisa ‘sagrada’. 

Armando Maynard

5 comentários:

contato disse...

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ARMANDO MAYNARD disse...

Foi com grande emoção, que no dia 26 de janeiro de 2011, depois de passados mais de doze anos, pude voltar ao prédio do antigo CINE PALACE. Acompanhado gentilmente pelo seu novo proprietário, que me levou ao mezanino da futura instalação de sua nova loja - cuja inauguração está prevista para o próximo mês - para que eu pudesse rever no mesmo espaço onde funcionava a sala de exibição do extinto cinema, as pinturas que adornam suas duas paredes laterais, que agora poderão ser vistas bem de perto, pois as pinturas ficaram na altura do andar, separadas por um vão aberto e protegido por um corrimão. São pinturas do artista plástico sergipano Jenner Augusto (1924 - 2003), até hoje preservadas. Obra considerada patrimônio de todos os sergipanos.

JCAMODIO disse...

Acabo de realizar uma viagem mental, conhecendo todos os detalhes do saudoso Cine Palace.
Foi emocionante.
Parabéns, Armando.

Gwendolyn Thompson disse...

Wow...Amigo Armando Maynard, como me lembro das primeiras sessões, aos domingos às duas da tarde...como me lembro de todos nós jovens daquela época por lá...depois íamos à missa na Catedral, depois à retreta em frente ao Palácio, hoje Palácio Museu Olímpio Campos, e, por fim, encerrávamos com o Jantar Dançante do Iate Clube...tudo isso terminava às 10 da noite e eu voltava pra casa feliz, muito feliz...rsrsrs...boas recordações! Beijos, Namastê!

IRIS CAMACHO disse...

Amiga Armando, que emoçaõ ler sua descrição sobre o Cine Palace, revivi cada espaço, lembrando de vários filmes assistidos aí, "Dio come ti amo" - filmes com o cantor mexicano Joselito e outra atriz e também cantora Marisol, "La Violetera" com Sarita Montiel, "O Mágico de OZ" July Garland, " Al de Lá", Romeu e Julieta com aquele casal lindo de atores (esqueci o nome) e tantos outros, não esquecendo a pipoca vermelha e outra pipoca meia oca que vendia na porta do cinema e o pipoqueiro colocava manteiga derretida.
Obrigado por essas lembranças.
Abraços da amiga Iris