quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Cineminha Particular



Fonte das imagens: Reprodução/Reighn

Da Enterprise para o porão de casa

Gary Reighn é um fã de carteirinha da série “Star Trek”. Tanto que decidiu investir cerca de 30 mil reais para construir uma sala de cinema completamente fiel ao interior da nave Enterprise. Todos os equipamentos e a tela de 102 polegadas são controlados diretamente do assento do capitão da “nave”. Reighn levou mais de dois anos para construir essa maravilha no porão de sua casa, em um espaço de aproximadamente 80 metros quadrados.

Texto e imagens reproduzidos do site: tecmundo.com.br

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Cinéfilos e suas coleções

Os clássicos do mestre do suspense, Alfred Hitchcock, também fazem parte do acervo.
São postais da coleção de filmes em blu-ray. Da esquerda para a direita: 
Cortina Rasgada (1966); Os Pássaros (1963) e Psicose (1960)

Publicado originalmente no site Viva com Prazer

Cinéfilos e suas coleções

Postais de filmes possuem um charme que ocupa pouco espaço

De acordo com o filósofo alemão Walter Benjamin: Toda paixão beira o caos, a do colecionador beira o caos da memória. Quem conhece colecionadores, dos mais variados tipos de objetos, como livros, brinquedos, gibis, entres outros, sabe que rola mesmo esta paixão insana.

Com os cinéfilos não é diferente. Além de muitos guardarem os ingressos das inúmeras sessões de cinema, há ainda aqueles que colecionam DVDs – desde os mais simples até as edições especiais –, outros pôsters de filmes e há quem colecione os charmosos postais, os quais muitos são veiculados por empresas como a MiCa e a Jokerman, para divulgação de longas e salas de cinemas e distribuídos gratuitamente.

Muitas vezes, uma coleção se torna ainda mais interessante quando há um tema. É o caso dos postais publicitários. São de todo tipo, desde os de causas sociais até os de publicidade de um produto ou serviço. Mas os postais de filmes são os mais bonitos e proporcionam ao fã de cinema obter um mini-pôster que cabe no bolso, ocupando menos espaço também em casa.

Não é regra, mas muitos colecionadores de postais de filmes possuem exemplares de longas ainda não vistos, seja porque o postal chama a atenção ou por ser um que ainda vai ser devidamente apreciado nos cinemas. Conheça algumas peças da colecionadora que lhes escreve e viaje no mundo da sétima arte.

Texto e imagem reproduzidos do site: vivacomprazer.com.br

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Cinefilia: o que é isso?, por João Batista de Brito


Cinefilia: o que é isso?
Por João Batista de Brito

Em sentido amplo, a palavra cinefilia significa ´amor ao cinema´, mas, o problema é que o amplo não é o sentido mais usado; assim, se todo cinéfilo ama a arte cinematográfica, nem todo mundo que gosta de cinema pode ser chamado de cinéfilo. Ou pode?

Para esclarecer eventuais diferenças semânticas é melhor contar a história da palavra, que nasceu nos primórdios da década de 20. Segundo consta, foi o escritor e teórico italiano Ricciotto Canudo quem primeiro cunhou o termo ´cinefilia´, para, já nessa época, designar, justamente, a paixão que se nutria pelo que ele mesmo conceituou como “a sétima arte”.

Apesar das muitas associações do cinema mudo com as vanguardas da década de 20 (futurismo, surrealismo, etc), o termo, contudo, só passou a ser usado de forma sistemática a partir da segunda metade dos anos 40, e num lugar muito particular: Paris. Foi no pós-segunda guerra que toda uma inteligentsia francesa começou a voltar-se para o cinema com uma atenção toda especial, numa atitude, não apenas diversional, mas de estudo e pesquisa. Foi então e aí que começaram a proliferar os cineclubes, locais de culto à sétima arte, mas também de reflexão sobre o valor estético, ético, humano e social desse novo meio de comunicação.

Revistas e livros passaram a ser editados sobre a importância artística do cinema, e logo logo, o resto do mundo acompanharia a turma francesa nessa postura, reflexiva e estudiosa, perante a tela. Sem demora o termo francês ´cinéphilie´ (pronuncia-se: /cinêfilí/, com acentuação oxítona) seria traduzido para outras línguas, e daí a pouco estariam os anglo-americanos falando de ´cinephilia` e os brasileiros de ´cinefilia´.

Inevitavelmente, a palavra nasceu em sentido restrito: o cinéfilo concebido pelos franceses e divulgado mundo afora não era qualquer espectador de cinema. Era um com cultura cinematográfica, o que significa dizer que conhecia a história do cinema; interessava-se pela sua linguagem, sua técnica, sua semiótica e sua teoria; não se limitava a ver muitos filmes, mas também lia sobre o assunto e queria discutir, analisar, interpretar. Para os franceses dessa época, quem não coubesse nesse ´modelo´ podia até ser um fã, mas nunca um cinéfilo.

É desse sentido restrito da palavra que se ocupa o jovem crítico e historiador – sem coincidência – francês Antoine de Baecque no seu livro mais recente “Cinefilia: invenção de um olhar, história de uma cultura”, que a CosacNaify acaba de editar entre nós.

Resultado de pesquisa exaustiva, o livro reconstitui todo o clima cinefílico de um período que vai de 1944 a 1968 – tirante o amor comum ao cinema, um período nada tranqüilo, sobretudo do ponto de vista ideológico, e mesmo estético.  De André Bazin a Henri Agel, passando por Truffaut, Chabrol e Godard, nenhum dos grandes vultos fica de fora da acalorada discussão sobre a arte do cinema. As revistas francesas da época foram cascavilhadas, junto com jornais e correspondências dos envolvidos, de forma a tornar o relato de Baecque o mais fidedigno possível.

Tentando não tomar partido, Baecque apresenta e analisa, para o leitor, as várias “correntes de pensamento” por trás das intervenções e propostas desses tantos pensadores do cinema – uns comunistas, ou mesmo stalinistas; outros cristãos, ou mesmo católicos; outros ainda, direitistas, ou mesmo fascistas; mas todos perdidamente apaixonados pelo “écran”.

Um fato suficientemente conhecido é, por exemplo, o modo corajoso como os colaboradores da Revista “Cahiers du Cinéma” descobriram, para o mundo, o valor do filme B americano, ao que opuseram a nefasta “qualidade francesa”, e o livro de Baecque choveria no molhado se ficasse nisso. Não fica.

Um dos seus méritos é fazer ver que os “Cahiers” eram apenas um dos fatores no meio de uma polêmica acirrada e, como dito, nada tranqüila. Seu jeitão “neo-formalista” (assim eram apelidados os seus articulistas) fazia contraste com o engajamento político de, por exemplo, uma revista de cinema igualmente importante, a “Positif”, para não dizer que era, com freqüência, rebatido por vozes individuais, como a do comunista intransigente George Sadoul, o mais famoso historiador do cinema francês e mundial.

Para quem olha de fora parece ter sido fluente o processo pelo qual Hitchcock – cineasta considerado meramente comercial em seu país – foi então erigido em mito; o livro de Baecque nos dá uma idéia clara da reação desfavorável que os futuros nouvelle-vaguistas enfrentaram, para conseguir esse intento.

Das batalhas ideológicas da época era impossível não desaguar em questões pessoais, e Baecque não hesita quando tem que fazê-lo. Dois exemplos: (1) nada mais comovente do que ler o penoso esforço de re-adaptação política do até então stalinista ferrenho Georges Sadoul, depois da morte e expurgo do ditador russo, quando os seus podres horrendos vieram à tona no governo de Kruschev. (2) igualmente, nada mais embaraçoso do que constatar que o jovem François Truffaut era, sim, um reacionário assumido, homófobo declarado, com atitudes éticas não propriamente elogiáveis, como tomar emprestados roteiros inéditos de cineastas consagrados na França para, depois de cordialmente devolvidos, estraçalhá-los na imprensa.

Uma constatação melancólica do leitor é a de como, no campo da arte, os comprometimentos ideológicos atrapalham. Em várias instâncias, é possível notar que muitas das opiniões mais radicais, assumidas e mantidas publicamente com ênfase, contra filmes ou cineastas, advinham um pouco mais de reações aos “inimigos” ideológicos e um pouco menos de convicções bem pensadas. Fosse como fosse, é patético passar a vista sobre os equívocos interpretativos, dos quais, – repito, malgrado a paixão comum ao cinema – poucos dos críticos e historiadores da época escaparam.

Dou dois exemplos que me tocam de perto.

Fui sempre um admirador dos “Cahiers du Cinéma” dos anos cinqüenta pelo empenho que tiveram em demonstrar a importância de cineastas hollywoodianos, aparentemente comerciais, como Frank Tashlin, Otto Preminger, William Wyler, Howard Hawks, Vincente Minnelli, Nicholas Ray, King Vidor, George Cukor, Joshua Lolang, Fritz Lang, Richard Fleischer, Don Siegel, Tay Garnett, Allan Dwan, Edgar Ulmer, e tantos outros. Contudo, nunca entendi por que John Huston não fez parte dos eleitos, um cineasta que, desde o seu primeiro “Relíquia macabra” (1941) só vinha crescendo e, tem mais, com o seu tema recorrente do fracasso inevitável, corajosamente contradizia o chamado “american way of life”.

Só agora, no livro de Baecque, descubro o porquê. É que Huston estava entre os preferidos dos “esquerdistas” da revista “Positif”, e, portanto, para não concordarem com os inimigos ideológicos, os “Cahiers” faziam vista grossa de sua qualidade cinematográfica e o mantinham fora de seu panteão. Pode?

Meu segundo exemplo é com Samuel Fuller, possivelmente o cineasta que mais polêmica causou junto aos cinéfilos franceses da época, por uma razão simples: no conteúdo, parecia fascista; na forma, se revelava um mestre. Quando o seu “Anjo do mal” (“Pick up on South Street”, 1952) recebeu um prêmio especial do júri de Veneza, a turma naturalmente se dividiu e vieram elogios de um lado – o da direita – e pauladas do outro – o da esquerda. Fulleriano inveterado, Luc Moullet inventaria uma fórmula para “explicar” o cinema de Fuller com aquela frase, depois tornada famosa por Godard e Rivette: “a moral é uma questão de travellings” – mas quem foi que disse que isso resolveu o problema?

Pois bem, não muito tempo atrás, organizei uma sessão de cinema com amigos, todos intelectuais sensíveis e inteligentes, para ver uma tríade de filmes noir que eu, por sorte, havia gravado de um canal de televisão paga. O primeiro filme exibido, “Um retrato de mulher” (Lang, 1944) arrancou aplausos calorosos de todos, porém, o segundo filme, por mera coincidência justamente o “Anjo do mal” de Fuller, foi quase vaiado, visivelmente por causa de seu conteúdo supostamente anti-comunista. A reação ao filme foi tão negativa que me espantei, e fiz esforços sobrehumanos para defendê-lo como um noir digno de nota. Incrível, mas, mais de meio século depois da época enfocada no livro de Baecque, as pessoas continuavam subestimando o cinematográfico em favor do ideológico e repetiam os equívocos do passado. Pode?

Acho que nem precisa dizer o quanto aprendi e também o quanto me diverti lendo o livro de Baecque. Os franceses podem não fazer o melhor cinema do mundo, mas, com certeza, são os que melhor pensam o cinema – e este livro é uma evidência gritante disso.

Só discordo um pouco do limite cronológico que o autor propõe ao fenômeno da cinefilia que, segundo ele, teria acabado nos embates políticos de 68. Ora, se a particular “cinefilia francesa” (sentido restrito do termo) porventura acabou, por sua vez, não acabou a cinefilia universal (sentido amplo).

O fato é que hoje o termo é usado de modo mais leve e mais solto, para incluir tanto o especialista (crítico, historiador, pesquisador) quanto o fã que acompanha os lançamentos e está minimamente familiarizado com diretores, atores e atrizes. Enfim, uma questão menos de conhecimento e mais de paixão.

Texto e imagem reproduzidos do site: imagensamadas.com

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Projecionista na enroladeira, rebobinando película 35mm


Técnico na mesa de edição


Projecionista na Cabine de Projeção


Projecionista na Cabine de Projeção


Projecionista na Cabine de Projeção


Coleção e Cineminha de Jim Zaas (Jim Zaas collection)










Fotos postadas por Pancho Ds/Facebook, no Grupo/Facebook/Projectionists International
Imagens reproduzidas do Grupo Projectionists International - Facebook

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Projeto Cinema no Beco

Projeto Cinema no Beco: toda quinta-feira, cerca de 50 crianças assistem a filme 
ou animação com a natureza como pano de fundo
Foto: Urbano Erbiste/Extra

Publicado originalmente no site do Jornal Extra, em 22 de abril de 2015

Morador da Maré coleta óleo usado, vende e, com a renda, leva cinema a crianças

Por Bibiana Maia e Roberta Hoertel 

Um litro de óleo usado, se descartado na pia ou no vaso sanitário, pode poluir uma quantidade de água limpa equivalente a um caminhão-pipa inteirinho. Mas, na Maré, o que sobra da fritura se transformou em cinema para as crianças. O projeto Cinema do Beco, criado há um ano e meio pelo morador Bhega Silva, de 56 anos, é financiado, em parte, com a venda de óleo de cozinha, recolhido de porta em porta na comunidade.

 Crianças recebem pipoca e refrigerante.  Endereço muda a cada semana
 e é anunciada em carro de som (Foto: Urbano Erbiste/Extra)

— Coloquei na cabeça que ia fazer um cinema. No início, me chamavam de doido, mas hoje acham lindo — conta Bhega, que também é músico e trabalha, de bicicleta e alto falante, fazendo propaganda do projeto na comunidade.

Bhega: preocupação com o meio ambiente remete à sua infância, na Maré 
Foto: Urbano Erbiste/Extra

Determinado, ele passou a recolher o óleo usado pelos moradores para vender, a R$ 0,80 cada litro, para uma refinaria de Bonsucesso. Cerca de 200 litros foram o suficiente para comprar equipamentos, como a lona para a projeção.

— Lembrei que o pessoal joga fora o óleo de cozinha e comecei a fazer a campanha na comunidade. Eu passo de bicicleta, e o pessoal doa. Ainda divulgo que o óleo entope e atrapalha o saneamento.

A cada semana, a projeção acontece em uma rua diferente, e o endereço é divulgado por carro de som. Com a popularização, o projeto ganhou parceiros que doaram projetor e fornecem pipoca e refrigerante para as cerca de 50 crianças que comparecem a cada sessão. Toda quinta-feira, são projetados filmes e animações que têm como pano de fundo a valorização da natureza, como “Tainá” e “Rio”, além de vídeos produzidos por Bhega.

Iniciativa conquistou parceiros, que patrocinam parte do projeto 
 Foto: Urbano Holanda/Extra

— Falo sobre dengue, poluição. Não tenho formação de meio ambiente. Aprendi vendo e ouvindo. Vamos fazendo devagarinho, falando da importância do planeta.

O interesse pelo tema vem da infância, na Maré. Bhega lembra-se dos tempos de fartura, em que pescadores doavam peixes pescados na Praia de Ramos, hoje poluída.

— Minha mãe me mandava buscar peixe, hoje não tem condições. Prometi que, enquanto estivesse vivo, faria algo pelo planeta, mesmo sendo trabalho de formiguinha.

Exemplo

Diante do problema dos baixos índices de coleta seletiva nos municípios do Rio, como o EXTRA mostrou no domingo e na segunda-feira, o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj e ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc afirma que há medidas simples e baratas para serem tomadas e que podem elevar os níveis de reciclagem dos municípios.

— Primeiro, é preciso transferir a responsabilidade da coleta seletiva para a Secretaria de Meio Ambiente. Na maioria dos municípios as empresas de limpeza urbana são da Secretaria de Obras. Eles não têm consciência ambiental e tratam como qualquer outro serviço — explicou.

De acordo com Minc, um dos melhores índices do país está em Londrina, no Paraná. Desta experiência, que o deputado conheceu de perto, ele vê outras soluções para o problema do Rio. Uma delas é a parceria dos municípios com as cooperativas de catadores, viabilizando o trabalho dos profissionais. A construção de galpões ou ecopontos também é apontada como uma solução, além da conscientização ambiental.

— A solução é clara e não é cara. Os professores já estão na escola, os alunos também. Ensinando a garotada, você pega também os pais, tios, a família toda. As próprias escolas podem se converter em centro de reciclagem — explica Minc, lembrando que mais de 20 escolas fazem isso no estado do Rio.

Para o deputado, o projeto de Bhega, na Maré, é um exemplo de que é possível ajudar em todos os níveis de atuação:

— É uma atividade muito bacana, muito bonita. Mostra como é possível ajudar. Colaborar com o meio ambiente. E como esse esforço, de uma pessoa, dentro da Maré, teria um resultado muito maior se recebesse um incentivo, uma pequena kombi, galões.

Texto e imagens reproduzidos do site: extra.globo.com

Sucateiro que fez da sucata... Um Cinema

Foto: André Lorenz Michiles

Publicado originalmente no blog ceuvagemichiles, em 24 de dezembro de 2016 

Sucateiro que fez da sucata... Um Cinema 

José Luiz Zagati, morreu neste ano 2016. Soube através de um obituário na FolhaSP. Um sucateiro apaixonado por cinema e que fez da sua casa uma sala de exibição de filmes em Taboão da Serra/SP.

Quando entrevistei (2013), o seu espaço encontrava-se em decadência. Mas, ele sempre entusiasta, mesmo assim já havia jogado a toalha, não havia grana. A família, era visível, queria que ele encerrasse de vez aquela "aventura", aquilo sangrou as economias da família, as filhas via o cinema como uma espécie de adversário. Neste sentido, creio, depois da sua morte, eles devem ter devolvido para a sucata, o patrimônio que Zagati construiu da mesma sucata.

Como escreveu José Luiz Vieira, um incansável pesquisador do cinema brasileiro: "Uma história, enfim, que se repete por todo o país (e pelo resto do mundo também), infelizmente. A gente fica impotente pois não tem como intervir (e nem pode e nem cabe) quando a família não tem posses, não tem sensibilidade e interesse por nada daquela ''velharia"...Triste mesmo. Volta e meia me vejo em situações mais ou menos parecidas. Daria para escrever um conto, um ensaio grande..." 

Texto e imagem reproduzidos do blog: ceuvagemichiles.blogspot.com