domingo, 12 de outubro de 2008

CABINE DE PROJEÇÃO (3)


As antigas cabines de projeção são possuidoras de quatro pequenas janelas, duas baixas - para saída de foco das lentes de cada projetor, e duas mais altas - para que o projecionista (operador), de pé, possa visualizar a tela e monitorar a qualidade da projeção. Todas estas janelas possuem portinholas que são fechadas quando necessário. Antes da modernização das cabines havia também dois projecionistas, ficando cada um responsável por um projetor. Hoje, um só projecionista toma conta de quase todos os projetores, nas grandes e compridas cabines dos multiplexs, que possuem um projetor para cada sala, todos reunidos em uma só cabine, tendo uma janela grande para cada um, com um vidro transparente, evitando assim que o barulho passe para a sala de exibição. As cabines antigas são compostas, até hoje, de dois projetores, para que não haja interrupção quando da exibição de filmes de longa metragem, que comumente duram em torno de 120 minutos e são compostos de seis a oito latas de rolos (partes) de filme. Quando essas latas chegam às cabines modernas, que têm um projetor para cada sala, são emendadas todas as partes de um longa e aí o filme é colocado, completo, em grandes bandejas giratórias, que suportam até três horas de filme. Esse sistema, juntamente com todos os projetores em uma mesma cabine dos multiplexs, possibilita que uma só cópia do filme seja exibida em mais de uma sala ao mesmo tempo, com uma diferença de segundos. A disposição muito comum em todas as cabines é o local, atrás dos projetores, para a bancada da enroladeira e coladeira, que podem ser manual ou elétrica (hoje muito mais usada). Embaixo da bancada, fica um escanil com os carretéis, que são usados para enrolar os filmes. Aqueles que são projetados no processo antigo, por serem transportados de outras praças acondicionados em rolos dentro de latas apropriadas, são depois rebobinados para um carretel especial, que se abre, permitindo tirar o rolo (parte) do filme e o recolocar nas latas. Outros componentes das cabines são: o amplificador - com caixa de som pequena, para que o projecionista possa ouvir e avaliar a qualidade do som que está saindo nos auto-falantes da tela; o quadro de interruptores das luzes da sala, palco e tela; o botão para acionar o motor da cortina da tela; o aparelho do gongo eletrônico e o toca-cd para reproduzir músicas nos intervalos das sessões.

Armando Maynard

4 comentários:

setaro disse...

Seu blog, sobre fornecer verdadeiras lições sobre o funcionamento dos antigos cinemas, apresenta também o fascínio de que eram possuidoras as antigas salas de exibição, que atualmente perderam seus estilos particulares e marcantes em função de uma uniformização com propósitos unicamente consumistas. Vai-se ao cinema hoje como se vai a um shopping. É tudo muito igual.

Daniel Savio disse...

Armando, fiquei curioso, pois você tem acesso há várias informações sobre sobre o cinema em geral, além da paixão, você trabalha num cinema?

Fica com Deus menino.
Um abraço.

Antonio Ricardo Soriano disse...

Parabéns pelo Blog!
Como é delicioso blogar! Não é?
É muito interessante ver, de imediato, o resultado da publicação, podendo até mesmo corrigir alguma coisa depois. É incrível, também, a abrangência que o blog pode chegar, isto é, por todo o planeta!
Gostei muito dos detalhes técnicos de projeção e da memória dos antigos cinemas, que não é muito diferente dos cinemas de São Paulo.
Vou publicar o link do seu blog no meu.
Parabéns e continue sempre.
Antonio Ricardo Soriano
http://salasdecinemadesp.blogspot.com
http://salasdecinemadesp2.blogspot.com

Márcio Rocha disse...

Impressionante como algo que aparenta ser tão simples, tem por trás da projeção algo que mesmo no período inicial aparentava ser tão rústico e ao mesmo tempo tão moderno.

Este é o verdadeiro charme do cinema.