sábado, 27 de setembro de 2008

O GLAMOUR DOS CINEMAS DE RUA

Na década de 60 as salas de projeção dos cinemas de rua eram enormes, chegavam a ter até mil lugares, mas não tinham muito conforto como as de hoje, que possuem ar condicionado silencioso e de perfeito funcionamento, poltronas confortáveis, totalmente acolchoadas e reclináveis. Naquela época, as cadeiras eram de madeira, sem acolchoados e as melhorzinhas tinham somente no assento. Quanto à climatação das salas, em algumas haviam ventiladores, em outras nem isso. As sessões mais agradáveis de se assistir eram à noite (soirée), pois as portas da sala de projeção podiam ficar abertas, o que não podia acontecer à tarde (matinée) porque, mesmo fechando todas as portas, a sala ainda ficava clara. Havia um luxo e um glamour em sua arquitetura e acessórios, que as tornavam verdadeiros templos da arte cinematográfica, com lustres e decoração que chamavam a atenção, o que não se vê, hoje, nas salas dos multiplex instalados nos shoppings centers. Antigamente, nos cinemas, antes de iniciarem as sessões, podia-se ouvir uma seleção de músicas orquestradas de muito bom gosto, intercalada com trilhas sonoras de sucesso. Ao iniciar a sessão havia todo um ritual a ser cumprido pelo projecionista (operador). Primeiro parava a música ambiente, ficando por alguns segundos sem som, para logo começar a MÚSICA DO PREFIXO - cada cinema tinha a sua - e muitas eram de temas de filmes. Ao escutar os primeiros acordes, o espectador apressava-se em acomodar-se em seus lugares e um silêncio pairava por toda a sala. Juntamente com a música do prefixo, reduzia-se a intensidade de algumas lâmpadas, quando o projecionista fazia soar o GONGO ELETRÔNICO que era composto de três badaladas, para cada tom. Só então eram acesas no teto, ao redor da tela ou no pequeno palco, luzes nas cores verde, azul e por último vermelha, com um JOGO DE LUZ bastante contagiante. Iniciada a projeção, lentamente, abria-se a cortina, que em muitos cinemas eram vermelhas e de veludo, algumas até automáticas (CORTINA MOTORIZADA), sendo acionadas pelo projecionista, da própria cabine. Quando o filme já ia terminar voltava-se a acender as luzes, primeiro as vermelhas e, ao desligar a luz do projetor, acendia-se, sequencialmente, toda a iluminação da sala, para daí fechar lentamente a cortina.
Armando Maynard

sábado, 20 de setembro de 2008

Sinal de Aviso no Fotograma


Quando a cabine de projeção ainda era composta de dois projetores, usava-se um recurso de aviso para o operador não errar na mudança de parte, tornando a troca de projetor imperceptível ao espectador. Eram sinais, espaçados por trinta segundos, feitos nos últimos fotogramas do final da parte (rolo) do filme de longa metragem (geralmente, um longa comercial tem duas horas -120 minutos - de projeção, sendo composto de seis a oito latas de filme, rolos ou partes), para avisar ao operador (projecionista) a hora exata de acionar o segundo projetor, para mudança da parte do filme, dando assim continuidade à projeção sem interrupção. Os sinais já vinham de laboratório, nos fotogramas do filme, colocados quando da confecção das cópias. Na revisão do filme o projecionista constatava que o laboratório não os tinha feito e providenciava, fazendo perfurações no canto direito do fotograma ou com a ponta de uma tesoura pequenas marcas em formas de “X”.

Armando Maynard