sábado, 20 de dezembro de 2008

Lanterna de Carvão Para Projetor 35mm.


Antigamente, nos projetores 35 mm., eram usadas em suas lanternas, a lâmpada de arco voltaico de carvão (eletrodo de carvão). Era uma luz de grande intensidade que podia ser regulada quando fosse o caso de um filme ser mais escuro. Tempos depois, foi substituída pela lâmpada xenon, também com grande poder de luminosidade, não mais precisando de regulagem, mas, tendo de ser observada o seu tempo de uso, pois quando vence seu prazo de horas de uso de projeção, passa a ficar com pouca intensidade, causando grande desconforto aos espectadores, que têm que ficar atento, reclamando da gerência. A lâmpada à carvão, constituíam-se de duas varetas (bastões) opostas, que funcionavam como pólos positivo e negativo, que, a medida que iam se queimando, as duas pontas se juntavam gerando a luminosidade e, quando se separavam por algum problema de regulagem, a projeção ia amarelando a imagem e a tela ia ficando escura, exigindo assim uma certa atenção do operador, que, nessa época, era comum os cinemas terem um para cada projetor. Muitos gerentes de cinema, com o intuito de economizar o carvão, fazia com que os projecionistas usassem pedaços do mesmo, causando certo vexame durante a exibição, pois tinham que ficar ajustando o carvão a toda hora. No filme Cinema Paradiso, há uma cena em que o projecionista usa a lanterna para manter a sua marmita sempre quentinha.

Armando Maynard

8 comentários:

Daniel Savio disse...

Interessante o detalhe sobre as lanternas de carvão...

Mas com certeza, ri um bocado com a parte da quentinha aquecida, hua, kkk, ha, ha.

E aproveitando o momento, feliz natal e um prespero ano novo.

Fiquem com Deus, Armando e Lygia.
Um abraço.

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Essas histórias são ótimas, Armando. Essa época quase totalmente experimental do cinema era mesmo fantástica, porque, da mesma forma que havia experimentação no nível técnico, ela se dava também na produção, no roteiro e na estética das filmagens. Com o computador, acho que isso perde um pouco a vida, apesar de não matar a arte, que consegue se superar, sempre.

Linkei você lá no Im-postura.

Abração e um bom natal, desde já.

Cadinho RoCo disse...

É impressionante perceber como evoluiu a tecnologia do cinema, seja na produção ou na exibição dos filmes.
Cadinho RoCo

Ana R. disse...

Bom conhecer de perto alguém que conheça tanto sobre cinema e técnicas afins. Muito interessante! Cinema Paradiso, inesquecível. Sublime!

Márcio Rocha disse...

Mais uma vez, venho aqui agradecer tamanha deferência ao nosso trabalho e manifestar minha congratulação por você, meu caro Armando. Afinal, passei a entender de cinema e qualidade de projeção graças ao seu minucioso e excelente trabalho.

Deixo nosso forte abraço.

lpzinho disse...

O cinema, principalmente o cinema das primeiras horas é rico em histórias que dariam altos filmes não é?
E os seus bastidores, detalhes, história em sí são preciosos inclusive por coisas como a lanterna de carvão do post.
Que bacana isso tudo! Me empolgo com coisas assim, seria legal se mto mais pessoas ficassem sabendo disso e de tantas histórias da tv, do rádio, do teatro tb entre tantas...
Parabéns sempre pelo blog e pelo conteúdo!!! =]

André Setaro disse...

Que 2009 ative ainda mais a sua fértil imaginação memorialística, a recordar os processos artesanais de exibição, que, para nós, cinéfilos, revelam-se presentes de grande valor, porque nos fazem voltar a um bom tempo que se encontra a desaparecer.

Impressionante como o Vistavision nunca foi implantado no Brasil.

Edson Zanin Barbosa disse...

Eu passei (projetei) muitos filmes nos cinemas de minha cidade, em lanternas à eletrodos de carvão. Meu pai era o operador e eu, lá pelos meus 10 anos, aprendi a operar aquelas máquinas, que exigiam atenção constante. Época de magia e esperança. O filme que mais gostei foi "Guerra nas Estrelas", acho que em 1977. Até a pouco tempo eu ainda tinha um fotograma que guardei da época. Os cinemas eram o Politeama, Brodway
e Rivoli, em Piracicaba - SP.