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sábado, 9 de março de 2024
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Ter filmes em casa
Pilha de fitas VHS para gravar o que passava na TV
Publicado originalmente no site Adoro Cinema, em 19/04/2015
0 sinais que você está ficando velho
É, a idade chega também para os cinéfilos!
Ter filmes em casa
Por Francisco Russo
Bem antigamente, não havia como ter um filme em casa (só se
você tivesse os rolos de filmes para passar em algum projetor, o que era bem
complicado). Você via o filme no cinema e, anos depois, tinha a chance de
assisti-lo na televisão. Depois disso, só torcendo por uma reprise.
Em 1976, surgiu o revolucionário VHS, onde era possível
gravar até 6 horas do que era exibido na TV. Nascia então o mercado de home
video e também as locadoras (falaremos delas mais adiante). A explosão veio
mesmo foi com o DVD, cuja qualidade e capacidade de armazenamento era muito
superior. O Blu-Ray foi o passo seguinte, mas (ainda) não estourou. A moda
agora é o VOD, video on demand, onde se pode assistir o filme online ou através
de alguma plataforma (Netflix, Telecine Play, etc).
Ou seja, se você ou seu pai ainda tem em casa aquela velha
fita VHS, daquele filme que adorava, isto é um sério indício da sua idade. Mas
se a sua coleção é em DVD não fique muito alegre, pois, no ritmo que anda o
digital, há quem diga que estes dias também estejam contados. Mas será mesmo?
Vale lembrar que o LP, aquela bolacha preta usada em toca-discos, não só
continua vendendo bem (na realidade atual) como, ainda por acima, virou produto
vintage!
Texto e imagem reproduzidos do site: adorocinema.com
segunda-feira, 3 de julho de 2017
O Menino que comia filmes
Imagem reproduzida do Google e postada por "FETICHE...", para ilustrar o presente artigo.
Publicado originalmente no blog 'gabfaridzaine', em 10 de outubro de 2012.
O Menino que comia filmes.
Por José Farid Zaine (farid.cultura@uol.com.br).
Desde muito cedo o menino andava por uma sala de cinema que
era de seu avô, e ficava encantado com os cartazes que anunciavam os filmes que
ali seriam exibidos. Quando morou na zona rural, esperava o homem com seu
caminhãozinho que vinha para o salão da Igreja de Bom Jesus projetar filmes
sobre um lençol...Ali viu as comédias de Mazzaroppi, uma Paixão de Cristo
antiquíssima, filmes de Chaplin (agora nas bancas semanalmente, na coleção da Folha
de São Paulo), O Gordo e o Magro, e seriados cujos capítulos eram exibidos aos
domingos. Que angústia esperar uma semana para ver se a serra ia cortar ao meio
a cabeça da mocinha...Mas logo chegou ao seu coração a imagem dos olhos cor de
violeta de Elizabeth Taylor, e ele soube o que era o amor de adultos pela
história comovente de “A Última Vez que Vi Paris”. Depois, quando foi para o
Ginásio (era assim que se chamava o ensino fundamental da época), numa cidade
maior, os grandes cinemas eram a melhor e mais acessível diversão. Via de tudo,
e se desesperava quando não podia entrar, por causa da censura, que ficava
estampada nos cartazes: PROIBIDO ATÉ 14 ANOS, PROIBIDO ATÉ 18 ANOS... chegava a
ir às três sessões principais do melhor cinema de sua cidade: sessão zig-zag,
às 10 da manhã, matinê às 14h e sarau às 20h (o momento chique com os filmes
mais badalados). Sua mãe ficava preocupada com aquela paixão e chegou a lhe
dizer que “só faltava não almoçar e nem jantar mais, e viver de comer
filmes...” Na verdade era isso, ele se alimentava daquela arte fascinante que
lhe mostrava o mundo em movimento, os dramas, as grandes aventuras, as paixões,
a alma humana desnudada.
Ali, nas salas escuras dos cinemas de sua cidade, ele
mergulhou na imponência de “Ben-Hur”, de William Wyler, que viria a ser um de
seus diretores prediletos, impressionado pela corrida de bigas, emocionado com
a trágica e gloriosa história da personagem principal e apaixonado pela
assombrosa música de Miklos Rosza, que até hoje considerada por ele uma das
melhores trilhas sonoras da história do cinema.
Foi ali que ele se encantou pelo cinema espanhol da época,
popularíssimo, e viu todos os filmes de Joselito, principalmente os que mais
amou, como “O Rouxinol das Montanhas” e “Saeta”. Ali também conheceu a singela
e emocionante história de “Marcelino, Pão e Vinho” com o pequeno Pablito
Calvo...e vibrou com a lourinha Marisol em “Um Raio de Luz”. Depois, uma paixão
incandescente: Sarita Montiel, com suas canções inesquecíveis em “La Violetera”,
“O Último Tango” e “Pecado de Amor”!
Ele quase não podia acreditar em seus olhos, mas o mar se
abriu diante dele em “Os Dez Mandamentos”. Era Moisés, com seu cajado, a
conduzir o povo para a milagrosa travessia. Era Charlton Heston, com sua imagem
poderosa, mais uma vez vivendo um grande herói. Heston, fazendo par com Sophia
Loren, seria depois uma de suas personagens favoritas, a de “El Cid” que, mesmo
morto, comanda seu exército amarrado a um cavalo, motivando os soldados para a
vitória. Lindo!
Uma de suas maiores e mais excitantes experiências foi
conhecer os cinemas de São Paulo, que ele sabia que existiam pelos jornais que
devorava, colecionando propagandas de filmes famosos. A irmã mais velha lhe deu
um dos melhores presentes de sua vida. Ela o levou ao Cine Rivoli, na Capital,
para ver “A Noviça Rebelde”. Era um sonho ver aquele filme deslumbrante numa
tela enorme, com um som maravilhoso, que ele amou desde a espetacular abertura
que jamais deixaria seu imaginário: Julie Andrews, de braços abertos, rodando
sobre a relva e cantando “The Sound of Music” ... No mesmo ano, outra
experiência maravilhosa: “Doutor Jivago”, de David Lean, que pouco tempo depois
daria a ele o enorme prazer de conhecer “Lawrence da Arabia” na pele de Peter
O´Toole.
Quanto tempo ele ficou cantando as canções de “Amor, Sublime
Amor” (West Side Story)? Até hoje, principalmente quando pode ver o musical num
teatro de São Paulo, há poucos anos.
Amava tanto os filmes, que começou a escrever sobre eles e a
ler muito, muito, sobre essa arte tão completa. E esse mergulho foi lhe
revelando os gênios de Fellini, Antonioni, Luchino Visconti, Fassbinder,
Herzog, Truffaut, Woody Allen, Walter Salles, Fernando Meirelles, Almodóvar e
tantos, tantos outros...
Hoje o menino que comia filmes viu que esse alimento fez bem
para sua existência, para sua alma. Agora, depois de muitos anos de vida, dos
quais passou tanto tempo dentro dos cinemas, ele escreve num importante jornal
de uma grande cidade, e seu prazer é dividir com os leitores os filmes que mais
ama...como esses citados, que podem ser vistos na casa de cada um, e podem
alimentar uma paixão como a dele, principalmente naqueles que tem o coração
como o seu, feito de celuloide!
Texto reproduzido do blog: gabfaridzaine.blogspot.com.br
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